quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Poemas Classificados 2017 - 055 (N.º 576 - Ano IV)


Gerânios. Foto: Francisco Ferreira.

Fórmulas

Nunca soube do amor
em medidas e precisão
de confeiteiros iniciantes.
Dele o que sei e sinto são
arroubos de temperos
e especiarias.

Sem incerteza alguma
de errar na receita.

Classificado para o projeto DOCE POESIA DOCE - organização: Fabíloa Campos e Fábio Shiva, de Salvador (BA), em 31/8/17.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Textos Classificados 2017 - 014 e Textos Publicados 2017 - 052 (N.º 575 - Ano IV)




Cruzado
A mim basta-me o ser guerreiro. Na presença de reis curvo-me, deponho armas e espólio. Só ainda não conheci nenhum rei.

Classificado para a antologia ACOLHA O PÓLEN DA VIDA - II (FRASES) e publicada– Organização: LENÍLSON SILVA.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Textos Publicados 2017 - 051 (N.º 573 - Ano IV)


Mariposa. Foto: Francisco Ferreira.

Escritores ou Poetas?



Ainda hoje lendo Poema Sujo de Gullar – obra primíssima, se é que me é permitido utilizar deste superlativo sem ferir de morte a língua de Camões, Machado e Mia Couto – peguei-me conversando com os botões de minha camiseta sem botões sobre: o que é ser poeta? O que diferencia poeta de escritor? Existe, de fato, esta diferença? E em existindo a diferença, será um maior do que outro? Daí lembrei-me de um ferrenho debate travado em um grupo de escritores de que faço parte no whatsapp acerca de o ser ou não ser poeta. De uma lado, contistas, cronistas e romancistas ressentidos de serem tratados de forma inferiorizada por aqueles que escrevem poemas e, do outro, os tais poetas. Como tenho dificuldades de me autodenominar escritor – já que não vivo de literatura – encontrei-me perdido, em meio àquele debate, como cego sem guia em terreno desconhecido; preferindo, portanto, recolher-me à minha insignificância poética e acompanhar, numa distância segura, o embate entre tantos mestres. Ao final, dado que não se chegava a acordo nenhum que contemplasse as duas vertentes, convencionou-se a denominação comum a todos: escritores. E assinou-se o armistício. O que incomodou-me e ainda incomoda pelo fato já explicitado anteriormente.

Também aconteceu de ler um belo texto de A. C. Costa Ferraz, que veicula no facebook, sobre as dificuldades com que temos de conviver no dia-a-dia por sermos escritores e portanto, taxados de loucos, sonhadores e visionários. E das perguntas que, inevitavelmente, sempre ouvimos: por que? Para quê? Para quem? – Como se, para sermos escritores profissionais ou não, famosos ou anônimos; tivéssemos de pedir habeas corpus, habeas data e termos álibis comprovados por pelo menos 5 pessoas idôneas e de notável saber e notória fé pública.  E da nossa timidez em nos declaramos escritores e de não raras vezes isto soar, para nós, como desculpas e para os outros, como heresia – daquelas que deveriam ser punidas com a morte na fogueira -. Feito se enfrentássemos um tribunal de inquisição em cada esquina.

Claro está que todo poeta é escritor, de que nem todo escritor é poeta e, ao meu olhar de leigo, de que nem todo aquele que escreve poemas, poeta seja. O filósofo português, quase contemporâneo, Agostinho da Silva (1906 - 1994) diz que “um homem não nasceu para trabalhar, nasceu para criar e ser poeta à solta” e que “todo o homem tem potencial para ser poeta à solta, significando poeta, atividade de criação, em qualquer área”. Sendo, portanto, poeta o homem que faz de sua vida uma profissão de fé na busca infatigável da criação de poemas – de quaisquer naturezas - de exaltação à vida, aos bons e nobres sentimentos e aos atos cotidianos que propiciem a criação efetiva desta obra.

Partindo de mim que sou pouco mais de um escritor medíocre lutando contra as vicissitudes no afã de me tornar poeta razoável, entendendo poeta como o ser que busca a igualdade absoluta entre os seres; o respeito ao direito e à liberdade; a grandeza no pensar, escrever e agir e na construção de um EU mais humano em cada novo dia. Que o seja, afinal somos muitos escritores, mas, infelizmente, pouquíssimos poetas – daqueles que trabalham na vida e nas letras no desenvolvimento de um mundo melhor de se viver. Que nos esforcemos diuturnamente para sermos poetas, seja em quaisquer atividades que executemos.


Publicação em minha coluna no blog DARK BOOKS de Pelotas (RS), em 29/9/17.


domingo, 3 de setembro de 2017

Textos Publicados 2017 - 050 (N.º 572 - Ano IV)


Flores Silvestres. Foto: Francisco Ferreira.

Viva a Indisciplina Criativa



Naquela que foi a minha última viagem como morador da cidade de Betim (morei de 2009 a 2013) para minha Conceição do Mato Dentro, adquiri na rodoviária de Belo Horizonte o livro Máscara de Atreu (A.J. Hartley). Na volta, lendo os últimos capítulos, como é de meu costume sublinhava frases e informações relevantes, palavras desconhecidas para posteriormente buscar o significado e anotava às margens do livro. Ao meu lado, no ônibus, uma menina de seis ou sete anos, conforme notei, de esguelha, vinha me observando com ar de censura e balançando a cabecinha negativamente. Passado algum tempo não se conteve, deu três pancadinhas em meu ombro e de dedinho em riste, me passou um especial: “Tá rabiscando o livro todo. Que coisa feia! A tia vai te brigar!” Eu a expliquei que aquele não era da escolinha e quando se tratava de nossos livros podemos e devemos interagir com eles, senão para que serviriam os livros? Mas que ela deveria acatar as regras da escola e da professora quanto a conservação dos livros didáticos. O fiz com imensa tristeza.

A escola pública embora troque de livros didáticos quase todos os anos, mantém o tradicional e ridículo sistema de exigir que os livros “doados” aos alunos se mantenham impecáveis ao final do ano letivo, algumas beirando ao absurdo de não permitirem que, sequer se façam os exercícios nos próprios livros. Manietam a criatividade do estudante e fazem do livro um objeto de terror. Ora, um livro é para ser lido, apalpado, acariciado e principalmente permissível que o leitor interaja com ele. Enfim, para ser amado. É comum ouvir de profissionais da educação que “os estudantes de hoje não querem saber de ler” ou de que “o brasileiro não tem o hábito da leitura” Mas como o seriam se não são estimulados, se vêm nos livros apenas mais um instrumento de repressão e  forma de disciplinar e domar a criatividade? Um estudante com dificuldade em matemática pode ser um exímio desenhista ou um bom poeta. Mas, ai dele se ousar exibir quaisquer destas artes no livro didático que, muito provavelmente, irá entulhar depósitos ou pior, serem jogados no lixo, para manterem as editoras e seus esquemas com as secretarias de educação.

Quando eu tinha de quatro para cinco anos fomos à casa de uns parentes na Tapera (distrito de Conceição do Mato Dentro e minha terra natal), naquela época não se comprava café em pó, os grãos eram pilados ou moídos em moinhos que todo o mundo tinha em casa, acoplado à parede da cozinha. Este artefato tinha um pequeno recipiente em sua base para evitar que o café que permanecia na máquina sujasse o chão em volta. Peguei o tal recipiente, fui à bica, coloquei um pouco de água e com aquela tinta que produzi, fiz diversas pinturas – ao estilo homem da caverna -  nas paredes de minhas tias. Quando meus pais, envergonhados, me repreenderam pela arte, aquelas senhoras, solteiras e sem filhos, com quase nenhuma educação formal, mas, entretanto, com um fantástico conhecimento pedagógico empírico, ficaram bravas com eles por tolherem a minha criatividade, pude desenhar por toda a parede e jamais esqueci.

Uma semana cheia de criatividade, arte e indisciplina para todos.

Publicação em minha coluna FIEL DA BALANÇA no blog OCEANO NOTURNO DE LETRAS – Rio de Janeiro (RJ), em 28/8/17.



sábado, 2 de setembro de 2017

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Poemas Classificados 2017 - 054 e Trovas Classificadas 2017 - 03 a 07 (N° 570 - Ano IV)


Gerânios. Foto: Francisco Ferreira.

Seleta de Trovas

Não entendo esta premissa
que vejo em alguns cristãos,
no afã de fazer justiça
querer matar os irmãos.
***
Ao ver um filho faminto
decerto dirá Jesus:
mesmo no céu inda sinto
nos ombros pesar-me a cruz.
***
Quando a morte nos alcança
numa hora inesperada,
devemos deixar de herança
bons exemplos e mais nada.
.
***
Saudade é trazer presente
aquilo que não é mais.
Reviver no inconsciente
o que não volta jamais.

                                  

Doação

Vou desfazendo-me.
Pedaço por pedaço, perco-me
um fragmento novo a cada passo.
Só para que me encontres
e construa-me homem novo
no teu amor.

Deixo-te minha alma
a caminho de casa,
o coração sob os lençóis
e um amor tão grande
que não cabe em lugar algum
senão ao lado do teu.

Pega! É por ti.

Classificado no XVII Concurso Nacional PoeArt de Literatura – 2017 para a edição do livro Vozes de Aço (XIX Antologia Poética de Diversos Autores), organização JEAN CARLOS GOMES, Volta Redonda (RJ), em 24/8/17.