sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Poema Classificado XVII


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Fecundação

O veneno dos meus olhos
cintila em teu baton-curare
arrepia-te a saliva coagulada
em pestanas de sangue sacrifical.

Meu espírito, tua faca ritual,
divide em partículas, entre anjos
em queda livre, desasados.
Fere a pedra, o sacro, o cóxis.

Meus dentes cravam-te calcanhares,
joelhos se chocam no crucial
desgozo da dor. Penetro-te pulmões
com sopros peçonhentos.

Num ato extremo – de vida e morte –
ao peso do corpo me submetes
e me acolhe em teu ventre
num aborto às avessas, feta-me.

Classificado para a antologia Os Mais Belos Poemas de Amor da Câmara Brasileira de Jovens Escritores - CBJE - Rio de Janeiro (RJ) em agosto de 2014.



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