sexta-feira, 3 de abril de 2015

Meus Sonetos III


Fonte: www.uinone.art.br

Desilusão de Ótica

Mirando-me num retrato de outrora,
eu cri-me alçado em voo, sem ser alado;
atrelando-me à ilusão do passado
esquecido dos espelhos de agora.

E inebriado assim fui mundo afora
em fantasias, sentia-me remoçado
neste falso delírio acorrentado
que, tão facilmente, a vida devora.

E, em lhe devorando o tempo, cai a venda,
que confunde e mascara a realidade.
Para que o iludido espírito aprenda

Sinto no corpo a terrível verdade:
que a ninguém, no decurso desta senda,
é permitido esquivar-se da idade.

4 comentários:

  1. ,O tempo é bom, o tempo é perverso. Ele nos dá sabedoria, mas tira o viço da juventude. A intensidade existencial dramatiza a tragédia do corpo. A idade avança, o corpo permanece. Ah! o tempo: doença aniquiladora da vida e da beleza

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  2. Graças a esse tempo, podemos experimentar novos sabores e outros amores. Tudo vem em consequência, Saibamos tirar o melhor de cada momento.

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  3. Visões interessantíssimas de meu poema e do tema que nele, discorri. Abraços carinhoso Vera Buosi e Neli Ascari Krahl. Obrigado!

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