quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Poema Classificado XIX



www.portugal-linha.net

Queda

Calcar na rocha a rubrica da dor
tatuar no sangue espesso
cristalizar signos
da cruz de todo o dia.

Pictografar a pele
na tortura do voo revés
desguarnecido das asas
com que sonhei-me anjo
ou pássaro...

Tanto mais a vida me reflui
mais me infinito em paradoxos.
Assimilo-me às pedras e perdas
faço-me montanhas. Túmulos...

No desamparo da queda
apeado de asas
em múltiplas âncoras
álibis ou habeas-corpus tão inúteis.



O voo se desata no chão.

http://autoressa.blogspot.com.br/2014/10/notas-comentarios-e-classificacao-da.html

domingo, 5 de outubro de 2014

Poema Classificado XVIII


www.quatrocantos.com

Alicerces Suspeitos

De pisar o absurdo
meus pés andam calados
preso às alpercatas
rotas, arrochadas do destino.

Errático por caminhos
que outras línguas palmilharam
vou desbravando rochas em rotas
trespassadas de antigos sangues.

Orbitados ainda, meus dias iguais,
de palavras vis que em vão
alcei à lua num canto-uivo
de último cão danado.

Serão delas a matéria pútrida
com que calcarei meus alicerces
mais suspeitos,
tão movediços os caminhos.

Sólidas somente as culpas

em trilhá-los nu à luz da vida.


Classificado na Triagem do III Concurso de Poesias Autores S/A

http://autoressa.blogspot.com.br/2014/09/classificados-na-triagem-do-iii.html

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Amigos que Escrevem III




O que deu errado

Pensando como poderia ter sido
se você estivesse aqui.
Queria muito olhar nos teus olhos 
e imaginar o que deu errado...
Queria que você olhasse nos meus 
olhos e visse o que você tinha 
perdido por não ter ficado... 
A beleza da minha alma está 
no meu olhar,quando olho para 
você brilhando de paixão por mim...
E meu coração pulsando no peito ,
perdido de amor por você... 

Sergio L.Melgareco

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Amigos que Escrevem II




Era uma menina,
Era silêncio,
Ensurdecedor,
Cumplicidade entre ambos,
 Não se podia avaliar a distância.
Ambos mutáveis.
Um de passagem.
Outro permaneceria até a morte.
Um voltaria.
Breve o suficiente para beijar a face, os cabelos,os olhos, o sorriso doce dessa doce menina.
Ah menina sonhadora!
Acorda o silêncio foi breve.


Vera Buosi  - Buosi V. Buosi, nascida em 01/08, Pedagoga fernandopolense, mora em São Jose do Rio Preto/SP. Gosta de ler, música (em especial sax e piano), montanha, caminhar, nascer e por do sol, amigos, sorrir, ouvir o silêncio... 

Amigos que Escrevem I




Amar 

No meio do mundo
Um órgão a pulsar
Insano e forte 
Silencioso 
E sempre 
seguindo em frente

Como rio ao mar! 

Estará certo,
Nesse curso imerso 
Às montanhas,
Novos e belos horizontes,
Minas preciosas, 
Mato a dentro, 
O amor buscar? 

A distância desse momento, 
Refletiu o pensamento, 
Vale a pena tentar? 
E o peito responde 
À esquerda, vá! 

Das águas abundantes 
À  Conceição 
Dos amantes
O órgão 
Pulsante
O amor há de encontrar!



Márcia Azevedo é paraense, mora em Macapá há 23 anos. Professora de Língua Portuguesa, especialista em Linguística, vive em meio ao mundo das letras e, principalmente, Literatura, às vezes se atreve em poemas de breves versos  (pela autora).

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Poemas Publicados II




Bodas

Vesti-me do nome mais bonito
das chitas, a mais colorida
calcei de sonhos, as mãos.

Pintei em beijos as palavras úmidas
de minha tímida boca
ornei meu coração – vesti-lhe sacro.

Ergui capelas em meu peito
reguei emoções, plantei-as
ao redor dos olhos – maquiei de amores.

E no altar à sombra do patíbulo
dei-te em relicário rico

minha morte, minha vida, meu espírito.

http://movimentoativista.blogspot.com.br/2014/07/concurso-cardapio-poetico-inscricao.html 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Poema Classificado XVII


www.adoroplantas.com

Fecundação

O veneno dos meus olhos
cintila em teu baton-curare
arrepia-te a saliva coagulada
em pestanas de sangue sacrifical.

Meu espírito, tua faca ritual,
divide em partículas, entre anjos
em queda livre, desasados.
Fere a pedra, o sacro, o cóxis.

Meus dentes cravam-te calcanhares,
joelhos se chocam no crucial
desgozo da dor. Penetro-te pulmões
com sopros peçonhentos.

Num ato extremo – de vida e morte –
ao peso do corpo me submetes
e me acolhe em teu ventre
num aborto às avessas, feta-me.

Classificado para a antologia Os Mais Belos Poemas de Amor da Câmara Brasileira de Jovens Escritores - CBJE - Rio de Janeiro (RJ) em agosto de 2014.