terça-feira, 3 de outubro de 2017

Poemas Publicados 2017 - 146 a 235 (N.º 597 - Ano IV)



Lançamento do livro RAÍZES DE PÁSSARO - Costelas Felinas Editora - I Edição/2017 - São Vicente (SP), com 90 poemas autorais, no La Fattoria - CMD, em 30/9/17. 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Textos Publicados 2017 - 058 (N.º 596 - Ano IV)




Da Espessura dos Sonhos e outros Devaneios





O grande poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto em seu poema O Cão Sem Pluma (1950), diz: “(...) é muito mais espesso o sangue de um homem do que o sonho de um homem. (...)” e, de fato, o é. O sonho de um homem nasce muito antes dele. São hipotecas de pais e familiares, depositados numa conta corrente onírica, em nosso nome. Em muitos casos, resultado dos seus próprios que foram abortados. Ao longo da meninice vamos ostentando e gastando perdulariamente estes “depósitos”. Lembro-me que meus primeiros devaneios eram de ser engenheiro – nem precisa dizer que eu não fazia sequer ideia do que seria isto, pois, se o fizesse, tornar-se-ia pesadelo, já que cálculos nunca foram a minha especialidade – mas alguém da família escreveu este roteiro e gastei tanto deste sonho alheio para agradar as visitas e orgulhar aos meus, nas mesas de jantares ou nas sestas em bancos de varanda da velha fazenda que, felizmente, em certa manhã acordei completamente falido, não restando sequer uma breve ilusão.


Um pouco mais crescido, vendo os antigos pais de família de minha rua tranquila retornarem para suas casas depois do trabalho, carregando seus embrulhos de pão, guloseimas ao bolso para agradar a criançada e serem cercados pelos filhos, o afago sem jeito nas esposas; decidi de que aquilo é a que se chamava felicidade e sonhei-me neles. O homem que descia as ladeiras do bairro trazendo nas mãos o alimento da prole, envergando o pó e o suor da profissão, a representação da segurança e do provimento da família, o objeto da espera e carinho dos filhos, do cuidado da esposa; o ideal de pertencimento, doação mútua, das trocas, do ter e manter um propósito na vida que nos cobra altíssimo preço em troca de dar-nos algum. Crescemos juntos, o sonho e eu. Parte dele vejo sendo realizado todos os dias, mas vieram novos sonhos: casa própria, emprego fixo, estabilidade emocional e financeira e, de repente, já me vi hipotecando esperanças em nome de meus filhos. Mais ou menos nesta época veio ao mundo o grande e perene sonho de minha vida, aquele de que pouco falo, mas por que muito batalho: inscrever-me no rol dos escritores razoavelmente conhecidos. Sonho árduo, tantas vezes abandonado e outras tantas retomado, que apesar de não na velocidade com que queria, vai se realizando gradativamente. E por estar já numa posição e idade que desfavorece gastar meu saldo de sonhos em outras aventuras, em nome da realidade me apego sempre mais neste e, por ele, é que me levanto todos os dias.


São os ornamentos da vida, os nossos sonhos e são eles que nos alentam a enfrentar a vida real que se faz cruel e implacável tantas vezes. O perigo é quando extrapolam os limites e se tornam obsessões, sobretudo em não se tendo maturidade de, em separando o joio do trigo, em prol deles, abrirmos mãos de certos prazeres. É o caso da menina acima do peso que sonha em ser bailarina, mas não sacrifica os doces, o lanche calórico e as massas; ou do garoto que quer ser jogador de futebol sem, contudo, gostar de exercícios físicos, deixar das baladas ou do chope com os amigos, entre outras coisas que por serem incompatíveis, inviabilizam a futura profissão. Como reza a canção popular: “(...) sonhar não custa nada, não se paga pra sonhar. (...)” mas há um custo para sua realização, independentemente de seu tamanho. É mister que lembremos que eles são bússola, mapas e rosa dos ventos que nos apontam para a realização pessoal e a felicidade, não a sua condição única. E de que é muito mais espesso o sangue, do que os sonhos. Que ousemos sonhar, mas com os pés bem fincados na realidade, criando sempre caminhos alternativos, a viamão, opções de felicidade que não estejam atreladas unicamente a um ideal de vida onírico.


Publicado na Revista Fênix Logos - n.º 27 - Setembro/2017 - Lisboa (POR) - organização: Carmo Vasconcelos - pag. 22, em 29/9/17.


domingo, 1 de outubro de 2017

Trovas Publicadas 2017 - 07 (N.º 595 - Ano IV)

Ipesinhos. Foto: Francisco Ferreira.

Não pode haver sem mulher

filho, amor, felicidade.

Sempre dizer, faz mister,

completa a minha metade.




Participação no I Colar de Trovas do Grupo Brasil Trovador – organização: Antônio Cabral Filho, em 26/9/17.




sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Textos Classificados 2017 - 017 (N.º 594 - Ano IV)



O Amor e Seus Reflexos

Ajustamos uns olhares de horas marcadas. Ela, tamponada na janela do quarto da sala, eu, de passagem apressada – modos de correição – como quem ia de compromissos e urgências. Mas qual? Pura vadiagem de menino-homem ainda frango, querendo ensaiar os primeiros cantos de galo.

Assim foi que dei os primeiros passos em terrenos de mulher, em barra de “barra de saia”, em negócios de fêmea. Conforme é muito fácil o percebimento, neste longe ainda não conhecia corpo e gosto de mulher, galalauzinho que eu era. Mas para aprender a ser homem basta o faro. Não carece professor, receita, mapa... nem bússola.

Passa tempo...

Tempo passa e aquilo engrossou o caldo feito mingau em fogo baixo e ganhou patentes e liberdades. A moça iniciou tecidos de muitas agulhas e teias, sentada à porta com os joelhos à mostra. Quem me visse zanzando ali e acolá dizia que eu estava em trabalhos de muitos cargos, cargas e encargos de fiscalização, tantas vezes perneava aquela rua, bem medida, aos passos lentos e curtos, rápidos e longos, com paradas estratégicas.  Certa vez deixei flor mimosa e sem espinhos, colhida na hora, feito bandeira, no mourão da cerca do quintal. Dia seguinte no lugar da flor, em bilhete perfumado, com florezinhas caprichosamente desenhadas e letra redondoza, a palavra: Bobo! – Quase nem acredito. Até hoje...

Num domingo de festas, padres e botinas lustrosas, na fila da comunhão, a moça deu três pancadinhas de dedos no meu cangote e falou:

--Licença!

Fiquei uma semana alisando o lugar que ela me tocou – como uma revoada de mil e mais mil borboletas – a mão da donzela.

Tempo passa...

Passa tempo e o perfeito das alegrias não foi ainda nascido para coração de homem. Pelo menos não para coração de homem pobre. A menina de meu bem querer se jogou de cabeça, trecos e tecidos, em noivado de supetão com um primo lá dela. Rendeu até falatório e coisa e tal. Ele, recém chegado da Mina de Morro Velho, amontado em besta brilhosa, bailarina e barulhenta e, carregando nas costas, além da corcunda, estabilidade de aposentadoria precoce, movida por mal sem cura de pleura, pulmão e fígado. Seco, amarelo e chiador feito peixe-tolo, mas com histórias de uns cobres sobrando na algibeira e ainda mais nos bancos. Diz-se que até talão de cheques. Arrebatou a moça e meu coração. Ela, para o altar e cama de cabeceira alta e, aquele, para o limbo dos corações e paixões desfeitas a força e fórceps. Bebi juras de vingança e morte em copos grandes, “amarrei o lote”, bambeei valentia de garrucha velha e enferrujada na cinta. Nem atirava mais, capaz que. Até que Zé Prefeito, velho sábio e cego de um olho, mas que enxergava mais que toda a nossa gente junta, chamou-me às falas e me segredou conselhos:

--Deixa estar que isto não dura um nada. Nem um mijinho de gato. O rapaz é roncolho e tem pulmão não. A moça larga logo. Ou, mais certo das certezas, é que fica viúva. Viúva e com os cobres do desbagado. Ai você aproveita.

Embirrei. Engoli e vomitei fel de mágoa. Quem que o cego velho pensava que eu fosse? Cachorro pidão? Tatu de cemitério? Anu branco? Matava! Matava e pronto! Mas, semana e meia, depois de mais cinco bebedeiras e explanação de raivas e iras sem fim, atrelei o caso na estaca do esquecimento.

Passa tempo...

Tempo passa e casamento marcado, casamento rezado. Nem bem mês e meio, me chegou por mãos de alcoviteira, carta da desposada prima do mandi. Sem perfumes e nem florezinhas, letras agarranchadas. Mas trazia propostas de gordas safadezas, num papel de embrulhar carne manchada de banha de porco. Isso, dizia:

“Segunda o marido viaja a negócio. Volta só na quarta. Vou fazer um buraco na cerca no fundo do quintal, debaixo do pé de coité e deixar a porta da cozinha só encostada.”

A última réstia de sol daquela segunda flagrou-me  feito lobisomem rondando os fundos da casa do casal, em busca dos fundos da moça. E, a primeira luz da terça-feira ainda me pegou na “rapação” com a mulher do roncador. Mas aquilo aumentou minha revolta: a moça reclamou de tristezas e saudades, amor e outras queixas. Desejei ligeiro e raivoso mil mortes dolorosas e lentas do rival, sem contudo, ser eu a segurar na mão da Pantasma que o levaria para as profundas.

Entretanto, na presença do regalo farto e fácil, degluti a rebelião e esbanjei na tarefa, de eito e empreitada, de sujar, nos lençóis da menina, o nome e a honra do sujeito ladrão dos amores da gente. Este gozo durou pouco mais de meio ano, porém.  Numa segunda, tarde da noite, o ofendido em honra chamou a mulher dele na porta da sala e eu, saí pela da cozinha... Escapei por milagre e mira ruim, do tiro de garrucha que me relampejou na cara e a passou a centímetros de minha orelha esquerda que me deixou surdo por dias e mais dias e, meio mouco, até hoje.

Daí que estou até hoje, 30 anos depois e mais umas tantas quaresmas, correndo do roncolho, feito o diabo, da cruz. E o mandi, ao que me consta, contam e passam recibo, está sem pressa nenhuma de dar seus ossos.  Tempo passa...

Passa tempo. E o tempo é hoje, do agorinha mesmo. Soube deles por novidadeiro de minha terra. Diz que a moça tomou tanto gosto pela safadaria que nunca mais largou do ofício de enfeitar a testa do chiador e que o marido ainda não trabalhou na mira lá dele, já errou mais de dúzia e meia de tiros nos amantes de sua senhora.  Se é roncolho, só Deus, os médicos e a mulher é quem podem dizer. Mas, ao que tudo indica, a mulher é manina, pois nunca tiveram um filho. Nem dele e nem doutros. Estão felizes e em paz!

Conto classificado no PRÊMIO MARIA JOSÉ MALDONADO DE LITERATURA – 2017 da AVL – Academia Volta-redondense de Letras de Volta Redonda (RJ), em 26/9/17.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Textos Publicados 2017 - 057 (N.º 593 - Ano IV)



Causos do Anedotário Mineiro





“O que agrada moça é carinho e o que agrada velho é café.” (Tião Carreiro e Pardinho, in DITADO SERTANEJO)





O mineiro, especialmente o do interior, é um poeta por excelência. Nosso anedotário e causos são sempre recheados de poesia e uma boa dose de filosofia também. Um exemplo disso é a queixa que aquele solteirão fazia quando via um magote moças:


“Quanta mandioca prantada


E tanta farta de farinha,


Tanta moça prendada


E meu facão sem bainha.”





Ou daquele tropeiro que chegando ao pouso - no tempo em que haviam pousos e tropeiros – ao verem belas meninas na janela, rapa a goela para empostar a voz e recita:


Pranta, cói e limpa


Torra, soca e coa


O café da morena


É que é coisa boa.”


As meninas, não gostando da poesia, ousadia ou da cara do infeliz tropeiro, respondem à altura:


“Torra merda


E soca bosta,


Que é disto


Que tropeiro gosta.”





Daquele senhor já avançado em anos e problemas eréteis, reclamando da vida da dura, ou antes, da falta de rigidez:


“Quando eu era frango novo


Comia mío na mão.


AI! Hoje sou galo véio


E bato com o bico no chão.





Beber é uma arte quando o sujeito é de fato um apreciador da branquinha e de mão no copo o levanta à altura dos olhos e declara seu amor:


“Felizbina, Felizbela


Moça bonita e bela.


me joga na poera, danada!


Mas eu te jogo na goela.”





Uma excelente semana a todos com amor e poesia.  



Publicação semanal em minha coluna FIEL DA BALANÇA do blog OCEANO NOTURNO DE LETRAS - Rio de Janeiro (RJ), em 25/9/17.


quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Trajetória Literária 2017 - 024 e Poemas Publicados 2017 - 146 (N.º 592 - Ano IV)


Divulgação do Lançamento do meu livro RÁIZES DE PÁSSARO e publicação do poema GAIOLAS em minha coluna PÍLULAS DE CULTURA no jornal FalaCMD - Ano X - n.º 34 - setembro/2017 - col. 1, 2, 3 e 4.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Textos Classificados 2017 - 016 (N.º 591 - Ano IV)


Mariposa. Foto: Francisco Ferreira.

O meu conto O AMOR E SEUS REFLEXOS foi um dos 15 classificados (o único do estado de MG) no PRÊMIO MARIA JOSÉ MALDONADO DE LITERATURA - 2017, da AVL - Academia Volta-redondense de Letras  de Volta Redonda (RJ).

https://www.avl.org.br/noticias/resultado-do-pmjml-2017-categoria-conto