Lançamento do livro RAÍZES DE PÁSSARO - Costelas Felinas Editora - I Edição/2017 - São Vicente (SP), com 90 poemas autorais, no La Fattoria - CMD, em 30/9/17.
terça-feira, 3 de outubro de 2017
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Textos Publicados 2017 - 058 (N.º 596 - Ano IV)
Da Espessura dos Sonhos e outros Devaneios
O
grande poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto em seu poema O Cão Sem Pluma
(1950), diz: “(...) é muito mais espesso
o sangue de um homem do que o sonho de um homem. (...)” e, de fato, o é. O
sonho de um homem nasce muito antes dele. São hipotecas de pais e familiares,
depositados numa conta corrente onírica, em nosso nome. Em muitos casos,
resultado dos seus próprios que foram abortados. Ao longo da meninice vamos
ostentando e gastando perdulariamente estes “depósitos”. Lembro-me que meus
primeiros devaneios eram de ser engenheiro – nem precisa dizer que eu não fazia
sequer ideia do que seria isto, pois, se o fizesse, tornar-se-ia pesadelo, já
que cálculos nunca foram a minha especialidade – mas alguém da família escreveu
este roteiro e gastei tanto deste sonho alheio para agradar as visitas e orgulhar
aos meus, nas mesas de jantares ou nas sestas em bancos de varanda da velha
fazenda que, felizmente, em certa manhã acordei completamente falido, não
restando sequer uma breve ilusão.
Um
pouco mais crescido, vendo os antigos pais de família de minha rua tranquila
retornarem para suas casas depois do trabalho, carregando seus embrulhos de
pão, guloseimas ao bolso para agradar a criançada e serem cercados pelos
filhos, o afago sem jeito nas esposas; decidi de que aquilo é a que se chamava
felicidade e sonhei-me neles. O homem que descia as ladeiras do bairro trazendo
nas mãos o alimento da prole, envergando o pó e o suor da profissão, a
representação da segurança e do provimento da família, o objeto da espera e
carinho dos filhos, do cuidado da esposa; o ideal de pertencimento, doação
mútua, das trocas, do ter e manter um propósito na vida que nos cobra altíssimo
preço em troca de dar-nos algum. Crescemos juntos, o sonho e eu. Parte dele
vejo sendo realizado todos os dias, mas vieram novos sonhos: casa própria,
emprego fixo, estabilidade emocional e financeira e, de repente, já me vi
hipotecando esperanças em nome de meus filhos. Mais ou menos nesta época veio
ao mundo o grande e perene sonho de minha vida, aquele de que pouco falo, mas
por que muito batalho: inscrever-me no rol dos escritores razoavelmente
conhecidos. Sonho árduo, tantas vezes abandonado e outras tantas retomado, que
apesar de não na velocidade com que queria, vai se realizando gradativamente. E
por estar já numa posição e idade que desfavorece gastar meu saldo de sonhos em
outras aventuras, em nome da realidade me apego sempre mais neste e, por ele, é
que me levanto todos os dias.
São os
ornamentos da vida, os nossos sonhos e são eles que nos alentam a enfrentar a
vida real que se faz cruel e implacável tantas vezes. O perigo é quando
extrapolam os limites e se tornam obsessões, sobretudo em não se tendo
maturidade de, em separando o joio do trigo, em prol deles, abrirmos mãos de
certos prazeres. É o caso da menina acima do peso que sonha em ser bailarina,
mas não sacrifica os doces, o lanche calórico e as massas; ou do garoto que
quer ser jogador de futebol sem, contudo, gostar de exercícios físicos, deixar
das baladas ou do chope com os amigos, entre outras coisas que por serem incompatíveis,
inviabilizam a futura profissão. Como reza a canção popular: “(...) sonhar não custa nada, não se paga
pra sonhar. (...)” mas há um custo para sua realização, independentemente
de seu tamanho. É mister que lembremos que eles são bússola, mapas e rosa dos
ventos que nos apontam para a realização pessoal e a felicidade, não a sua
condição única. E de que é muito mais espesso o sangue, do que os sonhos. Que
ousemos sonhar, mas com os pés bem fincados na realidade, criando sempre
caminhos alternativos, a viamão, opções de felicidade que não estejam atreladas
unicamente a um ideal de vida onírico.
Publicado na Revista
Fênix Logos - n.º 27 - Setembro/2017 - Lisboa (POR) - organização: Carmo
Vasconcelos - pag. 22, em 29/9/17.
domingo, 1 de outubro de 2017
Trovas Publicadas 2017 - 07 (N.º 595 - Ano IV)
Ipesinhos. Foto: Francisco Ferreira.
Não
pode haver sem mulher
filho,
amor, felicidade.
Sempre
dizer, faz mister,
completa
a minha metade.
Participação no I
Colar de Trovas do Grupo Brasil Trovador – organização: Antônio Cabral Filho, em 26/9/17.
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
Textos Classificados 2017 - 017 (N.º 594 - Ano IV)
O Amor e Seus Reflexos
Ajustamos
uns olhares de horas marcadas. Ela, tamponada na janela do quarto da sala, eu,
de passagem apressada – modos de correição – como quem ia de compromissos e
urgências. Mas qual? Pura vadiagem de menino-homem ainda frango, querendo
ensaiar os primeiros cantos de galo.
Assim
foi que dei os primeiros passos em terrenos de mulher, em barra de “barra de
saia”, em negócios de fêmea. Conforme é muito fácil o percebimento, neste longe
ainda não conhecia corpo e gosto de mulher, galalauzinho que eu era. Mas para
aprender a ser homem basta o faro. Não carece professor, receita, mapa... nem
bússola.
Passa
tempo...
Tempo
passa e aquilo engrossou o caldo feito mingau em fogo baixo e ganhou patentes e
liberdades. A moça iniciou tecidos de muitas agulhas e teias, sentada à porta
com os joelhos à mostra. Quem me visse zanzando ali e acolá dizia que eu estava
em trabalhos de muitos cargos, cargas e encargos de fiscalização, tantas vezes
perneava aquela rua, bem medida, aos passos lentos e curtos, rápidos e longos,
com paradas estratégicas. Certa vez
deixei flor mimosa e sem espinhos, colhida na hora, feito bandeira, no mourão
da cerca do quintal. Dia seguinte no lugar da flor, em bilhete perfumado, com
florezinhas caprichosamente desenhadas e letra redondoza, a palavra: Bobo! –
Quase nem acredito. Até hoje...
Num
domingo de festas, padres e botinas lustrosas, na fila da comunhão, a moça deu
três pancadinhas de dedos no meu cangote e falou:
--Licença!
Fiquei
uma semana alisando o lugar que ela me tocou – como uma revoada de mil e mais
mil borboletas – a mão da donzela.
Tempo
passa...
Passa
tempo e o perfeito das alegrias não foi ainda nascido para coração de homem.
Pelo menos não para coração de homem pobre. A menina de meu bem querer se jogou
de cabeça, trecos e tecidos, em noivado de supetão com um primo lá dela. Rendeu
até falatório e coisa e tal. Ele, recém chegado da Mina de Morro Velho,
amontado em besta brilhosa, bailarina e barulhenta e, carregando nas costas,
além da corcunda, estabilidade de aposentadoria precoce, movida por mal sem
cura de pleura, pulmão e fígado. Seco, amarelo e chiador feito peixe-tolo, mas
com histórias de uns cobres sobrando na algibeira e ainda mais nos bancos.
Diz-se que até talão de cheques. Arrebatou a moça e meu coração. Ela, para o
altar e cama de cabeceira alta e, aquele, para o limbo dos corações e paixões
desfeitas a força e fórceps. Bebi juras de vingança e morte em copos grandes,
“amarrei o lote”, bambeei valentia de garrucha velha e enferrujada na cinta.
Nem atirava mais, capaz que. Até que Zé Prefeito, velho sábio e cego de um
olho, mas que enxergava mais que toda a nossa gente junta, chamou-me às falas e
me segredou conselhos:
--Deixa
estar que isto não dura um nada. Nem um mijinho de gato. O rapaz é roncolho e
tem pulmão não. A moça larga logo. Ou, mais certo das certezas, é que fica
viúva. Viúva e com os cobres do desbagado. Ai você aproveita.
Embirrei.
Engoli e vomitei fel de mágoa. Quem que o cego velho pensava que eu fosse?
Cachorro pidão? Tatu de cemitério? Anu branco? Matava! Matava e pronto! Mas,
semana e meia, depois de mais cinco bebedeiras e explanação de raivas e iras
sem fim, atrelei o caso na estaca do esquecimento.
Passa
tempo...
Tempo
passa e casamento marcado, casamento rezado. Nem bem mês e meio, me chegou por
mãos de alcoviteira, carta da desposada prima do mandi. Sem perfumes e nem
florezinhas, letras agarranchadas. Mas trazia propostas de gordas safadezas,
num papel de embrulhar carne manchada de banha de porco. Isso, dizia:
“Segunda
o marido viaja a negócio. Volta só na quarta. Vou fazer um buraco na cerca no
fundo do quintal, debaixo do pé de coité e deixar a porta da cozinha só
encostada.”
A
última réstia de sol daquela segunda flagrou-me
feito lobisomem rondando os fundos da casa do casal, em busca dos fundos
da moça. E, a primeira luz da terça-feira ainda me pegou na “rapação” com a
mulher do roncador. Mas aquilo aumentou minha revolta: a moça reclamou de
tristezas e saudades, amor e outras queixas. Desejei ligeiro e raivoso mil
mortes dolorosas e lentas do rival, sem contudo, ser eu a segurar na mão da
Pantasma que o levaria para as profundas.
Entretanto,
na presença do regalo farto e fácil, degluti a rebelião e esbanjei na tarefa,
de eito e empreitada, de sujar, nos lençóis da menina, o nome e a honra do
sujeito ladrão dos amores da gente. Este gozo durou pouco mais de meio ano,
porém. Numa segunda, tarde da noite, o
ofendido em honra chamou a mulher dele na porta da sala e eu, saí pela da
cozinha... Escapei por milagre e mira ruim, do tiro de garrucha que me
relampejou na cara e a passou a centímetros de minha orelha esquerda que me
deixou surdo por dias e mais dias e, meio mouco, até hoje.
Daí
que estou até hoje, 30 anos depois e mais umas tantas quaresmas, correndo do
roncolho, feito o diabo, da cruz. E o mandi, ao que me consta, contam e passam
recibo, está sem pressa nenhuma de dar seus ossos. Tempo passa...
Passa
tempo. E o tempo é hoje, do agorinha mesmo. Soube deles por novidadeiro de
minha terra. Diz que a moça tomou tanto gosto pela safadaria que nunca mais
largou do ofício de enfeitar a testa do chiador e que o marido ainda não
trabalhou na mira lá dele, já errou mais de dúzia e meia de tiros nos amantes
de sua senhora. Se é roncolho, só Deus,
os médicos e a mulher é quem podem dizer. Mas, ao que tudo indica, a mulher é
manina, pois nunca tiveram um filho. Nem dele e nem doutros. Estão felizes e em
paz!
Conto classificado no PRÊMIO MARIA JOSÉ MALDONADO DE LITERATURA – 2017
da AVL – Academia Volta-redondense de Letras de Volta Redonda (RJ), em 26/9/17.
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
Textos Publicados 2017 - 057 (N.º 593 - Ano IV)
Causos
do Anedotário Mineiro
“O que agrada moça é carinho e o que
agrada velho é café.” (Tião Carreiro e Pardinho, in DITADO SERTANEJO)
O mineiro, especialmente o do interior,
é um poeta por excelência. Nosso anedotário e causos são sempre recheados de
poesia e uma boa dose de filosofia também. Um exemplo disso é a queixa que
aquele solteirão fazia quando via um magote moças:
“Quanta mandioca prantada
E tanta farta de farinha,
Tanta moça prendada
E meu facão sem bainha.”
Ou daquele tropeiro que chegando ao
pouso - no tempo em que haviam pousos e tropeiros – ao verem belas meninas na
janela, rapa a goela para empostar a
voz e recita:
“Pranta,
cói e limpa
Torra, soca e coa
O café da morena
É que é coisa boa.”
As
meninas, não gostando da poesia, ousadia ou da cara do infeliz tropeiro,
respondem à altura:
“Torra merda
E soca bosta,
Que é disto
Que tropeiro gosta.”
Daquele senhor já avançado em anos e
problemas eréteis, reclamando da vida da dura, ou antes, da falta de rigidez:
“Quando eu era frango novo
Comia mío na mão.
AI! Hoje sou galo véio
E bato com o bico no chão.
Beber é uma arte quando o sujeito é de
fato um apreciador da branquinha e de mão no copo o levanta à altura dos olhos
e declara seu amor:
“Felizbina, Felizbela
Moça bonita e bela.
Cê me joga na poera, danada!
Mas eu te jogo na goela.”
Uma excelente semana a todos com amor e
poesia.
Publicação semanal em minha coluna FIEL DA BALANÇA do blog
OCEANO NOTURNO DE LETRAS - Rio de Janeiro (RJ), em 25/9/17.
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
Trajetória Literária 2017 - 024 e Poemas Publicados 2017 - 146 (N.º 592 - Ano IV)
Divulgação do Lançamento do meu livro RÁIZES DE PÁSSARO e publicação do poema GAIOLAS em minha coluna PÍLULAS DE CULTURA no jornal FalaCMD - Ano X - n.º 34 - setembro/2017 - col. 1, 2, 3 e 4.
terça-feira, 26 de setembro de 2017
Textos Classificados 2017 - 016 (N.º 591 - Ano IV)
Mariposa. Foto: Francisco Ferreira.
O meu conto O AMOR E SEUS REFLEXOS foi um dos 15 classificados (o único do estado de MG) no PRÊMIO MARIA JOSÉ MALDONADO DE LITERATURA - 2017, da AVL - Academia Volta-redondense de Letras de Volta Redonda (RJ).
https://www.avl.org.br/noticias/resultado-do-pmjml-2017-categoria-conto
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