terça-feira, 16 de setembro de 2014

Amigos que Escrevem III




O que deu errado

Pensando como poderia ter sido
se você estivesse aqui.
Queria muito olhar nos teus olhos 
e imaginar o que deu errado...
Queria que você olhasse nos meus 
olhos e visse o que você tinha 
perdido por não ter ficado... 
A beleza da minha alma está 
no meu olhar,quando olho para 
você brilhando de paixão por mim...
E meu coração pulsando no peito ,
perdido de amor por você... 

Sergio L.Melgareco

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Amigos que Escrevem II




Era uma menina,
Era silêncio,
Ensurdecedor,
Cumplicidade entre ambos,
 Não se podia avaliar a distância.
Ambos mutáveis.
Um de passagem.
Outro permaneceria até a morte.
Um voltaria.
Breve o suficiente para beijar a face, os cabelos,os olhos, o sorriso doce dessa doce menina.
Ah menina sonhadora!
Acorda o silêncio foi breve.


Vera Buosi  - Buosi V. Buosi, nascida em 01/08, Pedagoga fernandopolense, mora em São Jose do Rio Preto/SP. Gosta de ler, música (em especial sax e piano), montanha, caminhar, nascer e por do sol, amigos, sorrir, ouvir o silêncio... 

Amigos que Escrevem I




Amar 

No meio do mundo
Um órgão a pulsar
Insano e forte 
Silencioso 
E sempre 
seguindo em frente

Como rio ao mar! 

Estará certo,
Nesse curso imerso 
Às montanhas,
Novos e belos horizontes,
Minas preciosas, 
Mato a dentro, 
O amor buscar? 

A distância desse momento, 
Refletiu o pensamento, 
Vale a pena tentar? 
E o peito responde 
À esquerda, vá! 

Das águas abundantes 
À  Conceição 
Dos amantes
O órgão 
Pulsante
O amor há de encontrar!



Márcia Azevedo é paraense, mora em Macapá há 23 anos. Professora de Língua Portuguesa, especialista em Linguística, vive em meio ao mundo das letras e, principalmente, Literatura, às vezes se atreve em poemas de breves versos  (pela autora).

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Poemas Publicados II




Bodas

Vesti-me do nome mais bonito
das chitas, a mais colorida
calcei de sonhos, as mãos.

Pintei em beijos as palavras úmidas
de minha tímida boca
ornei meu coração – vesti-lhe sacro.

Ergui capelas em meu peito
reguei emoções, plantei-as
ao redor dos olhos – maquiei de amores.

E no altar à sombra do patíbulo
dei-te em relicário rico

minha morte, minha vida, meu espírito.

http://movimentoativista.blogspot.com.br/2014/07/concurso-cardapio-poetico-inscricao.html 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Poema Classificado XVII


www.adoroplantas.com

Fecundação

O veneno dos meus olhos
cintila em teu baton-curare
arrepia-te a saliva coagulada
em pestanas de sangue sacrifical.

Meu espírito, tua faca ritual,
divide em partículas, entre anjos
em queda livre, desasados.
Fere a pedra, o sacro, o cóxis.

Meus dentes cravam-te calcanhares,
joelhos se chocam no crucial
desgozo da dor. Penetro-te pulmões
com sopros peçonhentos.

Num ato extremo – de vida e morte –
ao peso do corpo me submetes
e me acolhe em teu ventre
num aborto às avessas, feta-me.

Classificado para a antologia Os Mais Belos Poemas de Amor da Câmara Brasileira de Jovens Escritores - CBJE - Rio de Janeiro (RJ) em agosto de 2014.



quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Poema Classificado XVI




Banquete

Não me leves a banquetes.
Não me chames, não me tomes, não me comas
insípido e indigesto que sou.

Não me convides a orgias.
Não me chames, não me tomes, não me comas
que, de tão celibatário, sou impotente.

Não me tragas a bebedeiras.
Não me chames, não me tomes, não me comas
que sou covarde. Não sóbrio.

Só em noites de lua
famintas e impudicas
chama-me-toma-me-come.

Pronto, assado, no ponto estou. Nu e cru.

Classificado para a Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - Volume 117 - Câmara Brasileira dos Jovens Escritores (CBJE) - Rio de Janeiro (RJ) - agosto 2014.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Poema Classificado XV


Fonte: www. parclitus.com.br

De Secas e Verdes

Cantador se quiseres cantar;
veja que te não aconselho,
os tempos são difíceis!
Mas se imperativo for,
que cantes aleluias
às alegrias da chuva nova
na poeira velha e o cheiro bom
do bom barro de telha branco.
Ou o ocre dos ceramistas,
o branco das terracotas
e o ocre dos santeiros
nos cheiros molhados dos terreiros.

Não é que te queira ensinar
o ofício – de padre dizer missa –
(longe de mim)
é que os tempos são de seca,
são difíceis.
O mundo está sinistro.
digo isto só para parecer mais jovial.

Mas se quiseres calar
(veja que não te censuro).
se acaso, porém insistires,
que cante a paz.
As harmonias de abelhas e vespas
e formigas em seu fatigar
- operárias em construção –
na produção de alimentos
e no tornar fronteiras mais seguras.
Vidas mais úteis, vidinhas miúdas...
Ah, cantador, se os governos
fossem assim, tão eficientes!
Seríamos formigas maiores
e mais úteis, te garanto!
E nossas vidas, melhores.

Não que me queira queixar
é que a seca destes tempos sombrios
tornou agreste a minha alma
e desertificou o meu espírito.
O nosso destino de veredas
é alimentar rios.

Se calado, quiseres cantar e depois emudecer,
(veja que não te pressiono, nem apresso),
já que, por ti, tenho tanto apreço.
É que nestes tempos secos
de dificuldades, cantar é dorido.
Mas se de todo, quiseres te expressar,
que cantes jardins
belezas de moral em cachos,
canteiros floridos de ética,
floradas de justiça
e leiras e leiras de democracia.

Não é que te queira
dizer o que dizer
é que aqui, ao sul do equador,
são tempos de seca,
qualquer fagulha pode atear incêndios
e tiranias.

2º Lugar no XIX Concurso de Poesia e Prosa da Academia de Letras de São João da Boa Vista - 2011  
5º Lugar no VI Varal de Poesia UNIFAMMA - 2012