domingo, 12 de outubro de 2014

Poema Classificado XX


blogoget1.blogspot

Estação das Chuvas

Está chovendo de desbotar urubus,
as águas escarnecem de lodos, os dias
e os rios, atolados até o pescoço,
nos desvãos dos barrancos.
Garças colhem peixes nos altos
galhos das ingazeiras flutuantes.
Sabiás cantam litanias às avessas
pedindo sol e aragem na ferrugem
branca das serras de além de...
Na casca da lua germinam estrelas
para derramarem-se vagalumes
sobre o assoalho das nuvens e ventos.
Crescem musgos nos verdes dos periquitos
e de algas, poluem as barbas dos montes.
Das pedras resfolegam lama
em seus ternos de liquens.
Narcisos bebem das prateleiras
dos córregos navegados de folhas.

Deságuo em mim! 

Classificado para a antologia VOZES DE AÇO - XVI do XIV Concurso Nacional PoeArt de Literatura 2014 (Poemas)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Poema Classificado XIX



www.portugal-linha.net

Queda

Calcar na rocha a rubrica da dor
tatuar no sangue espesso
cristalizar signos
da cruz de todo o dia.

Pictografar a pele
na tortura do voo revés
desguarnecido das asas
com que sonhei-me anjo
ou pássaro...

Tanto mais a vida me reflui
mais me infinito em paradoxos.
Assimilo-me às pedras e perdas
faço-me montanhas. Túmulos...

No desamparo da queda
apeado de asas
em múltiplas âncoras
álibis ou habeas-corpus tão inúteis.



O voo se desata no chão.

http://autoressa.blogspot.com.br/2014/10/notas-comentarios-e-classificacao-da.html

domingo, 5 de outubro de 2014

Poema Classificado XVIII


www.quatrocantos.com

Alicerces Suspeitos

De pisar o absurdo
meus pés andam calados
preso às alpercatas
rotas, arrochadas do destino.

Errático por caminhos
que outras línguas palmilharam
vou desbravando rochas em rotas
trespassadas de antigos sangues.

Orbitados ainda, meus dias iguais,
de palavras vis que em vão
alcei à lua num canto-uivo
de último cão danado.

Serão delas a matéria pútrida
com que calcarei meus alicerces
mais suspeitos,
tão movediços os caminhos.

Sólidas somente as culpas

em trilhá-los nu à luz da vida.


Classificado na Triagem do III Concurso de Poesias Autores S/A

http://autoressa.blogspot.com.br/2014/09/classificados-na-triagem-do-iii.html

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Amigos que Escrevem III




O que deu errado

Pensando como poderia ter sido
se você estivesse aqui.
Queria muito olhar nos teus olhos 
e imaginar o que deu errado...
Queria que você olhasse nos meus 
olhos e visse o que você tinha 
perdido por não ter ficado... 
A beleza da minha alma está 
no meu olhar,quando olho para 
você brilhando de paixão por mim...
E meu coração pulsando no peito ,
perdido de amor por você... 

Sergio L.Melgareco

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Amigos que Escrevem II




Era uma menina,
Era silêncio,
Ensurdecedor,
Cumplicidade entre ambos,
 Não se podia avaliar a distância.
Ambos mutáveis.
Um de passagem.
Outro permaneceria até a morte.
Um voltaria.
Breve o suficiente para beijar a face, os cabelos,os olhos, o sorriso doce dessa doce menina.
Ah menina sonhadora!
Acorda o silêncio foi breve.


Vera Buosi  - Buosi V. Buosi, nascida em 01/08, Pedagoga fernandopolense, mora em São Jose do Rio Preto/SP. Gosta de ler, música (em especial sax e piano), montanha, caminhar, nascer e por do sol, amigos, sorrir, ouvir o silêncio... 

Amigos que Escrevem I




Amar 

No meio do mundo
Um órgão a pulsar
Insano e forte 
Silencioso 
E sempre 
seguindo em frente

Como rio ao mar! 

Estará certo,
Nesse curso imerso 
Às montanhas,
Novos e belos horizontes,
Minas preciosas, 
Mato a dentro, 
O amor buscar? 

A distância desse momento, 
Refletiu o pensamento, 
Vale a pena tentar? 
E o peito responde 
À esquerda, vá! 

Das águas abundantes 
À  Conceição 
Dos amantes
O órgão 
Pulsante
O amor há de encontrar!



Márcia Azevedo é paraense, mora em Macapá há 23 anos. Professora de Língua Portuguesa, especialista em Linguística, vive em meio ao mundo das letras e, principalmente, Literatura, às vezes se atreve em poemas de breves versos  (pela autora).

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Poemas Publicados II




Bodas

Vesti-me do nome mais bonito
das chitas, a mais colorida
calcei de sonhos, as mãos.

Pintei em beijos as palavras úmidas
de minha tímida boca
ornei meu coração – vesti-lhe sacro.

Ergui capelas em meu peito
reguei emoções, plantei-as
ao redor dos olhos – maquiei de amores.

E no altar à sombra do patíbulo
dei-te em relicário rico

minha morte, minha vida, meu espírito.

http://movimentoativista.blogspot.com.br/2014/07/concurso-cardapio-poetico-inscricao.html