terça-feira, 4 de abril de 2017

Textos Publicados 2017 - 19 (N.º 450 - Ano III)


Flores Silvestres. Foto: Francisco Ferreira.

É Mentira, Terta?



Na semana que passou, mais precisamente no sábado, comemorou-se o dia da mentira – se é que se pode comemorá-la ou mesmo criar um dia em sua homenagem - e nos leva a refletir sobre esta praga que assola a vida política de nossa Nação. Vi, inclusive, várias manifestações nas redes sociais de pessoas querendo instituir o dia 1° de abril como o Dia do Político Brasileiro. O monstro nazista Joseph Goebells, ministro da propaganda de Hitler, disse que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” e proferiu nesta frase uma grande verdade. E, para constatá-la, basta que busquemos na História: todos os governos de todos os tempos e vertentes ideológicas sempre se sustentaram em segredos de estado, omissões, mensagens sublinhares, censuras e mentiras maquiadas em verdade. Contando com conivência e cumplicidade de grupos dispostos a repetir, à exaustão, essas inverdades; levando em seu roldão a opinião pública; haja vista a grande mídia, sempre aliada do poder. Assim como, da mesma forma, agem os seus opositores. Só terá sobrevida aquele que mais convencer, ou, no caso, mentir melhor.

            A História também, sendo dama volúvel e ao serviço do vencedor, reflete-lhe o pensamento e registra “a verdade” de acordo com a sua ótica e ditames. E nesta empreitada cria mitos, gera heróis e vilões de acordo com aquele que a escreve. Isto é uma constante invariável tanto na vida pessoa e familiar, quanto na sociedade e nas nações. Razão porque a filosofia torna-se fundamental no equilíbrio da balança, pois em sua função de questionar, inquirir e averiguar e, em descobrindo a Verdade oculta atrás da meia verdade exposta, destrói os mitos, totens e tabus.

            O Direito tem entre seus pilares a máxima de que, a ninguém, se lhe é exigido produzir provas contra si mesmo, instituindo-se portanto o direito do réu de mentir em sua defesa, ou na termologia jurídica: alguém que, na condição de investigado, falta com a verdade para não se incriminar”. Na Literatura temos a licença poética que nada mais é do que um engodo à semântica, em nome da beleza ou realce de uma frase ou texto. Na religião, os dogmas, convenções e mistérios se constituem em entraves à busca da verdade. Em nossas vidas (pessoais, profissionais e, sobretudo, sociais) também já utilizamos, em algum momento, deste subterfúgio – e atire a primeira pedra aquele que nunca mentiu uma vez sequer -.

            Mas quando se se torna um mentiroso compulsivo, quando a mentira se institucionaliza como única base de sustentação pessoal ou nacional, estaremos fadados ao fracasso total, pois em algum momento ela própria destruirá toda a estrutura em seu derredor, uma vez que, sozinha não sobrevive, necessitando de uma série de outras que lhe acobertem e reafirmem. E sempre haverá uma falha, uma lacuna, uma aresta cujo rastro apontará para a verdade, feito a agulha da bússola que aponta perenemente para o polo magnético do norte.

            E, se não acreditam em mim, afirmo-lhes que digo só a verdade e que o “finado Tomé é testemunha”. Podem lhe perguntar.

Publicação em minha coluna FIEL DA BALANÇA no blog OCEANO NOTURNO DE LETRAS - Rio de Janeiro (RJ)

http://oceanonoturnodeletras.blogspot.com.br/2017/04/coluna-fiel-da-balanca.html

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