terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Textos Publicados 2017 - 09 (Nº 414 - Ano III)


Flor Silvestre. Foto: Francisco Ferreira.

Não me Façam de Tolo

O que eu não posso respeitar e nem aceitar é uma oposição derrotada, que se vale da mídia, para fomentar a perseguição a dois governantes que fizeram pela classe menos favorecida da Nação, o que a elite não fez em toda a história. A quem tirou milhões de brasileiros da linha da miserabilidade, a quem abriu as portas das universidades para milhões de brasileiros que não teriam chance de ingressá-las. Não discuto se houve erros, e nem que possa haver corrupção; e que, em havendo, não devam ser investigados e julgados com isenção e isonomia  Mas que não se queira tapar o sol com a peneira e esquecer mais de 500 anos de bandalheiras, patrocinadas principalmente por aqueles que hoje se transvestem de paladinos da justiça, da ética e da moralidade. Até porque, "nunca antes na história deste país" a justiça e a polícia tiveram tanta autonomia para investigar a tudo e a todos. O que não posso aceitar é que as tais manifestações tenham a presença, em lugares de destaque, de homofóbicos, intolerantes religiosos, favoráveis à ditadura e ao fascismo e políticos de direita notoriamente corruptos, bancando os heróis desta pobre Nação sem memória.

Texto publicado (primeiro) no blog coletivo SENDEIRO DAS LETRAS, Rio de Janeiro (RJ) em 8/2/17.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Textos Publicados 2017 - 08 (N.° 413 - Ano III)


Orquídea. Foto: Francisco Ferreira.

Com "P" de ...

Um pedreiro amigo nosso, de certa feita, fazia um símbolo católico na fachada da capelinha do cemitério local, por ocasião de sua reforma. Um sol que Deus dava. Suando bicas, queimando as mãos com cimento e “troncho” de ressaca. Faz, desmancha, torna a fazer... Finalmente, auto aprovou o serviço, que na verdade, ficou “maisómeno mar-mar.” Nisso, chegam para visitar a obra, o vigário na companhia de  uma freira. A irmã olha, balança a cabeça, faz beiços, caras e bocas, esquadrinha daqui e dali e interpela o pedreiro:

-- Seu J., o senhor já reparou que este “P” está meio torto? Não está não padre?  

--É Irmã, está sim!

O amigo, já desgraçado da vida, retruca:

-- Olha irmã, tem “P” de tudo quanto é jeito. “P” de padre, “P” de puliça, “P” de promotor, "P" de pedreiro... Este aí está torto porque é “P” de puta.



Esta anedota é verídica e se passou na minha cidade, Conceição do Mato Dentro (MG). Me utilizo dela para fazer uma reflexão acerca do cotidiano. Temos o costume de, muitas vezes, desvalorizar o esforço e o trabalho dos outros. É obvio que, quando contratamos os serviços de um profissional, queremos um trabalho próximo da perfeição, afinal, pagamos por aquele serviço. Mas no caso de nosso amigo em tela, um simples pedreiro, que aprendeu a profissão na prática, exigir-lhe o serviço de um artista plástico foi injusto. E, portanto, a sua zanga e má resposta à freira são muitíssimos justificados. Normalmente quando contrato os serviços de um oficial (pedreiro, carpinteiro, pintor, etc.) não costumo regatear no preço. Se acho que está justo, pago satisfeito, caso contrário, procuro por outro; mas sempre valorizando e respeitando o profissional! Se não sei ou não posso fazer, só me pagar pelo serviço.

Nós, escritores iniciantes, sentimos esta desvalorização até nos ossos. Quando oferecemos um livro, costumam dizer logo que está caro – embora eu ainda não tenha livro individual, quando participei das minhas três primeiras antologias, entusiasmado, coloquei 30 exemplares a venda na agência local de um grande banco público e venderam apenas 3 exemplares. Isto foi que me desmotivou a editar. Mais recentemente recebia centenas de elogios, curtidas e tinha muitos dos meus textos compartilhados no facebook todos os dias, então novamente coloquei à venda, naquela rede social, 5 exemplares de uma outra antologia, ao preço de duas garrafas de cerveja cada. Adivinhem? Não vendi nenhum e ainda teve amigo que brigou, querendo o livro de graça. – É lamentável como no Brasil (digo isto sem muito conhecimento de causa, haja vista que não conheço a política editorial de outros países e nem seus costumes) a cultura, sobretudo a literatura é desvalorizada e os escritores se vêm obrigados mendigar para ter seus textos editados, lidos e vendidos. Há uns anos atrás o governo federal lançou o programa “Vamos fazer do Brasil um país de leitores”, sem, contudo fazer nada para valorizar o escritor.  Como se cria leitores (consumidores), se não se tem livros (produto) e se não valorizam o escritor (produtor)?

 Por isto, meus prezados, quando tivermos de avaliar o trabalho do outro, coloquemo-nos em seu lugar e aprendamos a valorizar o talento alheio. Excelente semana a todos.

Publicação da semana no blog OCEANO NOTURMO DE LETRAS (Rio de Janeiro -  RJ) – Coluna: FIEL DA BALANÇA em 6/2/17.


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Trovas Publicadas 2017 - 01 (N.º 412 - Ano III)


Flor Silvestre. Foto: Francisco Ferreira.

Trova I



Nosso povo com galhardia

louva o seu educandário.

Oh, Daniel, quanta alegria

festejar seu centenário.



***

Trova II



Cem anos de tanta glória

e exemplo de educandário,

nosso povo faz história

e festeja seu centenário.

Trovas e matéria no JORNAL DA TROVA de ANTÔNIO CABRAL FILHO, sobre a inclusão de minhas trovas no programa da SEMANA PEDAGÓGICA da ESCOLA DANIEL DE CARVALHO.

Obs.: Apresentei as duas trovas à direção da Escola para que escolhessem apenas uma, mas acharam por bem incluir as duas, o que deixou-me duplamente feliz.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Textos Publicados 2017 - 07 (N.º 411 - Ano III)


Flores Silvestres. Foto: Francisco Ferreira.

Recompensa



         Acredito que nossas ações reflitam fielmente o que trazemos em nosso coração e alma. São como nossas assinaturas no cotidiano do mundo.  Assim como creio também que colhamos os frutos de nossos atos no momento imediato em que os praticamos, mesmo que não saibamos disto naquele instante. Há um adágio bastante difundido na região em que moro, aqui no Brasil, que diz: “Deus não dorme!” E, de fato, a onisciência e onipresença de Deus não falham e nem nos faltam nunca. Jamais faltarão.

         De certa feita, trabalhava eu no escritório de uma construtora que executava uma obra em minha cidade natal e contratei numa sexta-feira, em nome da empresa, um moço oriundo da zona rural para trabalhara na obra, com início imediato. Já na segunda-feira seguinte notei que no horário de almoço, o rapaz se distanciou e ficou perambulando pelos quintais da chácara onde funcionava o escritório da empresa. Aquela atitude dele incomodou-me bastante. Fui para casa naquele dia preocupado, com a sensação de que tinha de fazer alguma coisa.

          A refeição que era servida aos funcionários do escritório (em que eu estava incluído) provinha de um restaurante, já a dos demais funcionários da obra, os mesmos traziam-nas de suas próprias residências. Na terça-feira, portanto, no dia seguinte, reparti em duas porções iguais a refeição que era destinada a mim e, chamando o rapaz, para falar em particular, perguntei-lhe porque não estava almoçando juntamente com os outros funcionários, ao que ele me respondeu que como havia vindo da zona rural, não tinha trazido nenhum dinheiro e que há dois dias não se alimentava. Ofereci-lhe aquela porção que eu havia reservado e pedi-lhe que me procurasse em minha sala, após o expediente (sempre trabalhava uma hora a mais do que os outros funcionários). Quando o recebi, expliquei-lhe que a empresa concedia um adiantamento de salários quinzenal, mas apenas após o primeiro mês de trabalho.  Mas, que se ele não se incomodasse, iria adiantá-lo o valor de uma quinzena, de meus próprios recursos e que quando ele recebesse seus salários, me ressarcisse.

          Este meu ato, que eu teria para com qualquer outro ser humano na mesma situação, foi desprovido da intenção de receber qualquer coisa em troca. Não passou de mera solidariedade, pelo qual eu não esperava nenhuma recompensa no momento e nem em tempo algum. E esqueci-me daquilo. Alguns anos depois revi uma pessoa que me é muito cara e que já não nos víamos há bastante tempo. Ao longo de nossa conversa, esta pessoa querida, relatou-me que, na mesma época deste acontecido, recebeu de um companheiro de trabalho a mesma solidariedade. Havia mudado de emprego e passava por severas dificuldades e privações e que, nas palavras dele: “havia encontrado um Anjo da Guarda que o poupou de passar fome”.

         Ao ouvir o seu relato, percebi claramente a onisciência de Deus agindo naquele momento e retribuindo-me a solidariedade que tive para com aquele moço, na pessoa do meu amigo. A promessa de Cristo é perfeita e infalível, quando nos diz: “Tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos, é a mim que o fazeis.” (Mt 25,40). Uma feliz semana de solidariedade para todos.

Publicação da semana (sexta) no blog Dias d’oje (Lisboa – POR) – Coluna: REFLAXÃO DA SEMANA

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Poemas Classificados 2017 - 06 (N.º 410 - Ano III)


Foto: Francisco Ferreira

Equus



Do ventre aberto do cavalo morto

brotam como cogumelos os urubus

em todos os tons de preto e luto fechado.



Espantalho com farda de falcoeiro

acolhe em ramas negras os abutres

quando vira-latas Faísca os espaventa

pelo espólio da carne morta

do cavalo também morto.



Sob as costelas mortas do cavalo morto

crescem escaravelhos e larvas

e raízes adubadas de capim

no chorume vivo do cavalo morto.



Éguas virgens e potras viúvas

relincham cios inúteis e seus ventres ocos

de potros inconcebidos, abortos do cavalo morto.

Classificado para a REVISTA CABEÇA ATIVA  do MOVIMENTO CULT – São Vicente (SP) em 4/2/17.



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Textos Classificados 2017 - 07 (N.º 409 - Ano III)


Foto: Francisco Ferreira.

Surpresa
 Jamais experimentara tanta paz, nem tamanha ausência de dor. Sentia-se livre, leve, como se nem a gravidade agisse mais sobre ele. Parecia um sonho… que se transformou em pesadelo, quando na tentativa de acender a luz, atravessou a parede.

17° Lugar – II Prêmio Escambau de Microcontos do site ESCAMBANAUTAS (III Semana) – Maceió (AL) em 3/2/17.

http://escambau.org/2017/02/03/resultado-semana-3-ii-premio-escambau-de-microcontos/  

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Poema Classificado 2017 - 05 (N.º 408 - Ano III)

Flor Silvestre. Foto: Francisco Ferreira.

Livro Vivo


Escreve comigo
essa história até o fim?

Depois lê
até a ultima página.

Permite-me a coautoria
de tua biografia.

Não és livro
que leio pela capa
gozo em cada página.

Classificado para a antologia LOGOS – N.º 24 – janeiro/2017, da EDITORA FÊNIX (Lisboa – POR), em 31/1/17.