quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Poemas Classificados 2017 - 06 (N.º 410 - Ano III)


Foto: Francisco Ferreira

Equus



Do ventre aberto do cavalo morto

brotam como cogumelos os urubus

em todos os tons de preto e luto fechado.



Espantalho com farda de falcoeiro

acolhe em ramas negras os abutres

quando vira-latas Faísca os espaventa

pelo espólio da carne morta

do cavalo também morto.



Sob as costelas mortas do cavalo morto

crescem escaravelhos e larvas

e raízes adubadas de capim

no chorume vivo do cavalo morto.



Éguas virgens e potras viúvas

relincham cios inúteis e seus ventres ocos

de potros inconcebidos, abortos do cavalo morto.

Classificado para a REVISTA CABEÇA ATIVA  do MOVIMENTO CULT – São Vicente (SP) em 4/2/17.



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