sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Coluna Fixa "Reflexão da Semana" (Blog Dias d'oje - POR) 2016 - I (Número 381 - Ano III)


Rosa. Foto: Francisco Ferreira.

A Primeira Pedra



Quando os fariseus e doutores da lei levaram a Jesus, a mulher adúltera, com o intuito exclusivo de O incriminarem, o Mestre, baixou-se e começou a escrever na areia. Como é grandiosa a sabedoria, a paciência e a prudência de quem vai praticar a justiça e a misericórdia. Ele poderia ter esbravejado e, em poucas palavras, equacionado aquela situação...Mas, não! Humildemente se baixou diante daqueles seres arrogantes que lhe queriam o mal, colocando-se em uma posição inferior, para proferir aquela maravilhosa sentença: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar-lhe a pedra.” (Jo 8:7)

Neste momento, de tão sublime sentença, o Mestre destitui-Se do poder – que Lhe era de direito - de julgar, e o devolveu àqueles que, mesmo sem o ter, se arvoravam de juízos, jurados e algozes. Vejam que Jesus não se precipita, não teme e nem sequer se exalta. Dá a sentença, naquele momento, a todos, de forma suave, mas cujo impacto é profundo e instantâneo. Todos se sentem na pele da pecadora e indignos de julgá-la. E, nós, em nosso quatidiano, quantas vezes nos tornamos os doutores da lei e fariseus da vida de nosso semelhante? Quantas vezes, desdenhando a trave nos nossos olhos, apontamos o cisco no olho de outrem? Quantas vezes esquecemos as nossas culpas, vícios e miserabilidade humana para julgar o próximo? Vivemos, em todo o mundo, um momento de idolatria da morte, de desesperança e condenação. Haja vista a intolerância (religiosa, de gênero, política), os atentados que se proliferam, ceifando vidas e perpetuando a dor, os julgamentos precipitados e parciais que fazemos dos nossos amigos. Esta é a hora de acordar, numa ressurreição coletiva, e valorizar mais a vida, o entendimento, a esperança, a fraternidade e caridade de ver “o outro” e de agir com “o outro", como quereria que agissem contigo. Ser cidadão e cristão e cristão-cidadão é antes de mais nada aprender a ouvir, respeitar, aceitar, tolerar e agir com imparcialidade para com todos da sua espécie humana. É dobrar-se numa contemplação interior e,  fazendo isto, contemplar a sua própria miserabilidade, a sua própria falibilidade, os seus conflitos, as dúvidas e angustias e redescobrir que ninguém é digno de "atirar a primeira pedra"... de sequer atirar um pedrisco!

Feliz Ano Novo com mais amor, mais tolerância, mais caridade, mais misericórdia e mais altruísmo!
Obs.: adequada ao português de Portugal pelo amigo João Teixeira.

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