sexta-feira, 22 de maio de 2015

Poemas Classificados XXXIV


Fonte: www.blogodorium.com.br

Classificados

Troco: Carta de alforria
por anel de noivado
e promessas recalcitrantes.

Espelho, espelho meu
por maçã envenenada
à luz de velas.

Casa de seis cômodos
por casulo de incertezas
e uma dose de ópio.

Caderno de poemas
por um cigarro, antes
de um uísque, depois...

* Classificado para a antologia "Explode Coração - poesias - Edição Especial 2015 - Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE) - Rio de Janeiro (RJ) - abril/2015." 

* Publicado na antologia on line do mesmo concurso.



quinta-feira, 21 de maio de 2015

Poemas Classificados XXXIII


Fonte: www.arcadja.com

Ofertório

Um amor plebeu é que ofereço
em cântaros de barro rústico
e alguidares e gamelas de madeira
pobre, branca sem cerne; servido.

É um amor assim insulso
sem esplendores de martírios
ou renúncias merecedoras de créditos
sussurrado em esquinas suspeitas.

Um amor pequenino, pecaminoso
purulento e mesquinho, sem méritos,
grão de areia, cisco no universo
dos grandes amores. É só isso!

Nada mais carrego nos bolsos,
nos alforjes ou coração
somente semente, já chocha,
bem pouco provável que vingue.

É mínimo, ínfimo, mísero
mas se queres, toma-o para ti:

É chavo, mas todo teu!

* Classificado para a Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - 125 - Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE) - abril/2015

* Publicado na antologia on line do mesmo concurso.

Poemas Classificados XXXII


Fonte: isaminatel.wordpress.com

Solidez

Não me afianço das coisas palpáveis
ao alcance das mãos e da transmutação.
Meu devoluto coração no aguardo
de sementes e fé, conduz-me e me seduz
ao escuro e profundo abismo dos abismos,
saltar!
Minhas alpercatas de trafegar sonhos
caminham sozinhas se me atrelo
à desilusão da inércia.
Pranteio os meus segundos perdidos
no labor do não-iludir-me, dessonhando.
A amordaçada criança interior, neste exterior carcomido
geme por libertar-se.
só me garanto na volatilidade do efêmero,
na quimera instantânea,
sólida como as asas da borboleta,
densa como o sopro do vôo da libélula.

Que seja livre, pois que do sonho

é que é feita a vida!

Classificado para a Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - 126 - Câmara Brasileira do Jovem Escritor (CBJE) - Rio de Janeiro (RJ) - maio/2015

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Meus Sonetos - IV


Fonte: www.igp-sports.com.br

Panaceia

Cuidar que se mantenha acesa a chama,
fazer brotar, da bruta pedra, a flor
e em se iludindo, se esquivar da dor,
é este o desafio inglório de quem ama.

O coração, de amor, tanto se inflama,
que nos cremos cativos deste horror, e
nesta confusão se chega a supor
ter presa, a vida, nas mãos de quem se ama.

Mas o amor (veneno) se faz alento
balsâmico lenitivo e tônico
suavizante para todo o tormento.

E não existe mal agudo ou crônico
de que o amor atuando como unguento
não suavize num espírito agônico.



Poema dos 47 anos - VI



Fonte: ultimosegundo.ig.com.br

Mata Fechada

Sob a copada das árvores
tatu não diferencia
se é "de noite" ou se é "de dia"! 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Meus Sonetos III


Fonte: www.uinone.art.br

Desilusão de Ótica

Mirando-me num retrato de outrora,
eu cri-me alçado em voo, sem ser alado;
atrelando-me à ilusão do passado
esquecido dos espelhos de agora.

E inebriado assim fui mundo afora
em fantasias, sentia-me remoçado
neste falso delírio acorrentado
que, tão facilmente, a vida devora.

E, em lhe devorando o tempo, cai a venda,
que confunde e mascara a realidade.
Para que o iludido espírito aprenda

Sinto no corpo a terrível verdade:
que a ninguém, no decurso desta senda,
é permitido esquivar-se da idade.

Um Poema Antigo V


Fonte: espacocardamomo.wordepress.com

Surdez

Tua voz troa tão alto
ouvidos não ouvem
impossíveis de tons...

Quem, pela verdade estiver,
que ecoe, bem alto, o meu silêncio!

Sons corrompidos velados
mentiras desveladas
vozes...