sábado, 28 de fevereiro de 2015

Poema Classificado XXVIII


Fonte: www.panoramio.com

Terra Virtual

Quando a Tapera escorreu das frestas de meu bornal
e nada mais restou na última curva,
bananeiras tolas acenaram-me
e, sem saudades, vim-me embora.

Não foram adeuses
que as laranjeiras daquela época e quintais
não sabiam sentimentos.
Cumpriam apenas seus papéis
em oferendas sabotadas por sanhaços,
muito mais sabidos do que as laranjas.

Hoje, que minha atiradeira não reconhece torcais
e os mamoeiros aprenderam o sabor de amar(elar),
é tédio agora. Meu picuá já tão cheio!

A terra mater despenca
de cachoeiras e paredes virtuais em close,
sobre meu peito seco
e um banzo de gemidos de porteiras

chama-me: volta, volta, volta...

Classificado para a antologia "De Verso em Verso - Poemas - Edição Especial 2015" - da Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE) - Rio de Janeiro (RJ) - fevereiro/2015.

2 comentários:

  1. Que delicia! Que vontade de voltar! Que vontade de rever! Que vontade de estar lá! Se voltar lá, prepare-se para o encontro com o inesperado; traga contigo as belas lembranças vividas lá... Lindo poema!

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  2. Não posso voltar à Tapera de meus tempos de menino, senão na imaginação e em meus poemas de saudade. Abraços, Vera Buosi.

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