sexta-feira, 10 de julho de 2015

Poema dos 48 Anos


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Serras do Sem Esperança

Esta serra tão bravia riscada na erosão,
parece um talude pichado a golpes de picaretas
todo engaratujado pelas mãos de cem capetas.

É de pedra, cacto, espinheira e locas de cascavel
de maldades e malvadeiras, tocas de assombração
só sede, sal, seca e sóis...  de envergar um  cristão.

Aqui o que mais se planta é corpinho de pagão
mas muito é o que se colhe, para haver compensação:
morte, doenças, miasma neste naco de sertão.

Mas, são serras de minha terra, onde ergui plantação
de sonhos pobres,  morrediços  e sem viço na ilusão,
tão tristes, tão passadiços, bem baixos, rascando o chão.


5 comentários:

  1. Poesia, que forma maravilhosa de interpretar o mundo, só com tanta perspicácia, pra ler as entrelinhas, um abraço poeta !

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