quinta-feira, 16 de julho de 2015

Revista GENTE DE PALAVRA -34


Fonte: facopinturinhas.blogspot.com

Sólidos

No tempo das’águas, no em antes, do ano passado
andei quase a virar passarinho.
Um átimo da minha vocação
de borboleta ou morcego foi que faltou.
Desvoei!

Mas meu medo de menino,
medo ancestral da queda, amoleceu-me.
Desdesenhadas minhas asas tortas
recolhi as penas e a pena.
Despoetei-me!

Arrasto-me lagarto desde então.
Encaramujei minhas vontades
e liberdades receosas. Parado no ar
caindo de pedra e chumbo,

Gravitacionei.

2 comentários:

  1. Que bom poder acessar seu blog, e encontrar nele tão linda poesia, até parece uma homenagem ao tão sofrido povo catarinense, que se encontra a ponto de criar asas.
    um abraço.

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  2. Eu gosto muito deste poema. E olhe que eu tenho enorme autocrítica. Mas, esse o considero belo. Abraços, Neli.

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