quarta-feira, 24 de maio de 2017

Poemas Publicados 2017 - 017 (n.º 473 - Ano III)

Cogumelos. Foto: Francisco Ferreira.

Poeta

Concebo-me ser inteiro
em única palavra
dita ao relento
num beco escuro e frio.

Nasço de tua voz
em evocação às sombras
de árvores despidas
grafitadas nos muros sujos
da cidade invernosa.

Cresço se praguejas à sorte
à sina, ao destino, à falta
que o acalento faz
em tua alma assustada
de menina travessa.

Vivo em tua poesia gauche
quebrada, aviltada em letras
inelegíveis das fachadas
de teus edifícios sonho.

Matam-me porém as letras frias
de palavras sem vida do matutino
que envolve o corpo morto
que atravanca o trânsito.


Publicado no Jornal LETRAS TAQUARENSES – ANO XI – N.º 73 – abril/maio 2017 – Editor: ANTÔNIO CABRAL FILHO – pag. 04 – col. 03 em 19/5/17.


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