domingo, 18 de janeiro de 2015

Poema Classificado XXVII


fonte: www.adventurezone.com.br  

Alicerces Suspeitos

De pisar o absurdo
meus pés andam calados
preso às alpercatas
rotas, arrochadas do destino.

Errático por caminhos
que outras línguas palmilharam
vou desbravando rochas em rotas
trespassadas de antigos sangues.

Orbitados ainda, meus dias iguais,
de palavras vis que em vão
alcei à lua num canto-uivo
de último cão danado.

Serão delas a matéria pútrida
com que calcarei meus alicerces
mais suspeitos,
tão movediços os caminhos.

Sólidas somente as culpas

em trilhá-los nu à luz da vida.

Classificado para a Revista Entreverbo - Edição XIV - Canoas (RS) - janeiro/2015

Poema Classificado XXVI


fonte: melkmesquita.blogspot.com

Luciferianas

Tuas asas foi que perdi e o amor
quando de adeuses, te fizeste estação
do longe, longe, longes!

Tão doído desaprender a voar
em tuas mãos vazias
de mim e de sonhos.

Num passo bêbado

caí degraus, rolei no ar.

Classificado para a antologia "Amor em Sol Maior - Poesias - Edição Especial 2015" - Câmara Brasileira dos Jovens Escritores (CBJE) - Rio de Janeiro (RJ) - janeiro/2015

Poema Classificado XXV


fonte: cronologiadassecas.openbrasil.org

Seca

Nas navalhas de macaco
o vento faz a barba do sol
debruando em brilhos o riachinho
que espreguiça fino em afluentes secos.
O anzol fere o espelho d’água rasa
colhendo piabas, cambebas
em matas de algas e pedras.

Do fundo da floresta
a noite conversa comigo
numa fala-flauta de cachorro ferido.
Nos grotões, e brenhas, e brejos
campeiam caçadores de estrelas
perdidas em nuvens- tempestade.

Sabiás assoviam sermões
suplicando setembros e chuvas
se a Primavera demora em epifanias
nos galhos secos, cortantes
que os ventos de agosto

desnudaram, despudoradamente. 

Classificado para a Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos  - 122 - Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE) - Rio de Janeiro (RJ) - janeiro/2015

domingo, 11 de janeiro de 2015

Poema dos 47 anos - V


Fonte: sardaniscar.blogspot.com

Se te Ausentas

Meus meros olhos cegos
Das poeiras e da vida, esmeram em ver
Se te não enxergam. Tão inúteis!

Se nãos são dos teus azuis
Como o céu de que te originas.
Pois de lá é que os anjos provêm.

Minhas mãos o que tocarão?
Apenas vazio
Se te fazes ausente.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Trajetória Literária I


Fonte: tripstapix.com

"Autores Estrelados"

A partir das edições de agosto/2009, a CBJE passou a identificar alguns autores nas listas dos autores selecionados para cada antologia, com dois tipos de estrelas:

Uma estrela dourada - identifica os autores cujas obras publicadas já alcançaram a marca de 50.000 leituras nas antologias on line.

Eu consegui a estrela dourada a partir de dezembro de 2014, conforme atesta o link abaixo:

www.camarabarsileira.com/autoresestrelados.htm 

Poema Classificado XXIV


Fonte: 1.blog.djmatioca.com 

Indecifrável

Rascunho-me, o mesmo, todos os dias
na vã tentativa de sobreviver às quedas
e dar vida ao projeto
que  me redigiram – Deus e destino –
num roteiro de dramas
e tramas cômicas.

Analfabeto de viver
escrevo-me, indecifrável.

De mãos atadas e impróprias
ao desenho e traços

esboço-me em humanóide.

Classificado para a antologia Poemas Descalços na Noite Serena - Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE) - Rio de Janeiro (RJ) - dezembro/2014.

Poema Classificado XXIII


Fonte: ruralcentro.uol.com.br 

Mãe-d’Água

O céu anoiteceu de lua
gorda, grande, redondosa
destas de enlouquecer
cachorros e namorados,
de tão grávida de luz.

Estradas brilham.
Brilham rios e ribeiras
ladeados de pescadores
que sonham Iaras, entre barrancos.

Meu amor enlaçou-me
em tarrafas e feitiços de carinhos,
ando assim, tão lambari,
mergulhado em seu leito
de linhos, lycras e chitas.

Peixe preso no aquário

de suas ancas, navego-lhe.

Classificado para a Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - 121 - Câmara Brasileira dos Jovens Escritores (CBJE) - Rio de Janeiro (RJ) - dezembro/2014.