sexta-feira, 17 de março de 2017

Poemas Classificados 2017 - 10 (N.° 437 - Ano III)


Por do Sol. Foto: TLGMorais


Lobo em Pele de Poeta


Peles de poetas não me servem
Frágeis como a aurora, elas são.
Quero a couraça do guerreiro
Ando vexado, procurando emprego.
Quem sabe, a burra cheia e o bucho,
Possa rabiscar uns versos
Poluídos de chãos de fábricas e fuligens
Destes tempos industriais,
Talvez destas linhas tímidas
Desatem uma segunda revolução
De proletários inspirados e de macacões.

Peles de cordeiro? Também não
Agrada-me mais a mandíbula de asno
Não obstante a calvície
Que inviabiliza o Sansão em mim
E estes músculos flácidos de pouca fé.
Ando temeroso de guerras contra filisteus
Procurando a paz, mesmo que inglória.
Antes o covarde vivo, que valente e não.
Quiçá esta retirada individual
Permita a paz da coletividade.

Mas a pele de lobo, esta sim, me serve
Disfarça o lobisomem em mim.
Até que a lua cheia o denuncie...

O que há com o homem moderno
Que sua própria pele não basta?


Classificado para a antologia PERDIDAMENTE (vol. II) do  GRUPO MÚLTIPLAS HISTÓRIAS EDITORIAL  de Lisboa (POR) em 16/3/17.

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