terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Texto Classificado 2017 - 001 (Nº 382 - Ano III)




Quem Ama a Terra não Erra



Muito feliz seria o povo que antes da educação formal, instruísse suas crianças de que, tão importante quanto o livre-arbítrio – premissa pedagógica de quem ama de forma igualitária a si e aos seus iguais - seria o cuidado com a Terra. Ela que nos recebe em nossos primeiros choros e que, até o choro derradeiro – não mais o nosso, mas o de quem nos ama – nos sustenta, quer seja como amparo, quer seja como fonte de nutrientes necessários para a manutenção da vida. A mãe Terra. Mãe, irmã, amante. Torná-la tão limpa, tão carinhosamente cuidada e cultivada, que poderia ela própria servir de alimento.

Há uma piada aqui no interior de Minas que diz que “ a Providência criou o mundo e o diabo dividiu, deu títulos de propriedade e ainda emprestou o dinheiro para as cercas”. E há de ser mesmo um ato diabólico o de querer possuir algo que deveria ser de propriedade comum. Observamos as comunidades indígenas menos afetadas pela influência do homem “civilizado” e percebemos o quanto são ricos em qualidade de vida, desconhecendo depressão, insônia, conflitos, disfunção erétil, crises existenciais, homofobia, violência sexual e outros males que nos assolam. Mas estes seres iluminados pela Mãe Natureza não se “adonam” de nada, não tem propriedades privadas, tudo é de todos e para todos. Não se servem de nada, antes são servos da natureza.

Aqui na civilização discutimos os “ismos”, nos dividimos entre capitalismo, socialismo, comunismo. Nos matamos por eles e nenhum deles resolve os nossos problemas de desigualdade social e de distribuição de terras e rendas, pois o pior de todos os “ismos” contamina e infecta quaisquer daqueles sistemas: o egoísmo. Enquanto os nossos irmãos tidos por muitos como selvagens, vivem o socialismo puro e natural: terra, florestas, rios e até as ocas são para o sustento e abrigo de todos, com igualdade.

Existe também um ditado que diz que “quem compra terra não erra”, erro crasso, pois, quem ama, respeita, cuida da terra é que, de fato, não erra. Confesso ser um feliz proprietário de um lote de terra, onde finquei a minha casa, planto as minhas árvores e jardim e cultivo minha família na observância atenta de que devemos devotar à mãe Terra amor e respeito profundos, mantendo a saudável, e, em contrapartida, ela nos manterá também sãos de corpo e de mente. E não preciso de mais nada, além de uns poucos quilos dela, de quando em vez, para plantar mais alguns vasos. Mas, numa sociedade de consumo e valoriza sobremaneira o ter, eu ando na contramão, sou considerado como mais um lunático, visionário e louco. No entanto me sinto muito bem com minha loucura incurável aqui no mundo da lua.

10º lugar no VI CONCURSO DE INTERPRETAÇÃO DO BLOG INTERPRETANDO IDEIAS - em 1º/1/17.

http://interpretando-ideias.blogspot.com.br/2017/01/resultado-do-6-concurso-de_1.html

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