terça-feira, 11 de julho de 2017

Trajetória Literária 2017 - 11 (N.º 518 - Ano IV)

Trabalhinho da turma de 1º ano (professora Betânia) da EE Daniel de Carvalho. Foto: Francisco Ferreira


Entrevista para o blog OCEANO NOTURNO DE LETRAS  - Rio de Janeiro (RJ), em 4/7/17.

1. Vamos começar conhecendo um pouco mais do autor da nossa coluna de segunda, Fiel da Balança, que às vezes nos faz rir demais com seus causos e regionalismo, e outras vezes pensar, sobre nossa sociedade e suas convulsões antropológicas, nos fale um pouco de você, Francisco, o que faz, quem é, de onde vem?


Eu sou funcionário público estadual, natural e residente em Conceição do Mato Dentro (MG), uma cidadezinha encravada na Serra do Espinhaço, no Circuito da Estrada Real, com pouco mais de 10 mil habitantes na sede. Poeta, contista, cronista, trovador, blogueiro, escrevo cordel, poetrix, haicai e aldravias. Tenho 49 anos e escrevo desde sempre. Em 1999, comecei a participar de concurso literários e hoje tenho cerca de 600 classificações no Brasil, Portugal e Itália, participo de mais 150 antologias e sou membro de academias literárias em RS, PR, RJ, SP, ES, BA. Estou, no momento com 3 livros prontos: COROLÁRIO DE TROVAS, em pdf na plataforma BOOKESS, RAIZES DE PÁSSARO, no prelo e RELICÁRIO VAZIO, concorrendo em alguns certames.



2.Ler para você é...

Necessidade básica como respirar, alimentar, dormir. Depois de escrever a atividade mais prazerosa do cotidiano. Leio sempre e de tudo.



3.O que você pensa sobre essa onda literária de livros de Youtubers?

Confesso que ainda não tenho um juízo formado sobre isto. Devido a minha idade, não tenho muito contato com esta tendência.



4.Seu gênero literário preferido?

Conforme disse num tópico anterior, leio de tudo. Mas, principalmente poesia. Leio poesia todos os dias e, em sua maioria, de autores desconhecidos do grande público. Obviamente não dispenso os clássicos e nem os meus autores preferidos:  MANOEL DE BARROS, DRUMMOND, FERREIRA GULAR, JOÃO CABRAL, ADÉLIA PRADO, CORA CORALINA.



5.Algum preconceito literário? E se for o caso, qual?

Não.



6.Qual o primeiro livro que leu?

Não me lembro com precisão se foi MOBY DICK ou MEMÓRIAS DE UM VIRA LATAS.



7.Nos fale um pouco de seu processo criativo.

Ainda escrevo à moda antiga em cadernos de rascunho e utilizando-me de 4 canetas de cores diferentes. Componho o texto, normalmente com caneta azul e, logo em seguida, faço uma primeira revisão com caneta vermelha. Alguns dias depois faço outras revisões com canetas verde e preta. E só então digito o texto. (Isto para poesia). Para o caso de crônicas e resenhas, se não escrevo diretamente no computador, reviso-as quando estou digitando.

Não tenho muito critério, infelizmente. As vezes escrevo um conto de 6, 7 laudas de uma só vez, noutras levo meses para terminar. Em outras ocasiões escrevo até 10 poemas num dia, porém passo vários dias sem escrever.



8.Nos fale sobre seus projetos futuros e seus sonhos na profissão.

Estou com o livro autoral (o primeiro) RAÍZES DE PÁSSARO com 90 poemas, a ser lançado no final de julho ou na primeira quinzena de agosto, dependendo apenas da editora e correios. Tiragem modesta, apenas 100 exemplares nesta primeira edição. Um segundo livro RELICÁRIO VAZIO, concorrendo em alguns certames e preparando o terceiro (ainda sem título) também para concorrer num concurso do Paraná.

No momento, estou escrevendo para o OCEANO NOTURNO DE LETRAS e para o DARK BOOKS  e gostaria de ter mais colunas em outros blogs que me preenchessem a semana.

O sonho de qualquer escritor é reconhecimento e este, venho alcançando aos poucos. 



9.Quando foi e como foi que vc se reconheceu como escritor?

Desde os 7 ou 8 anos que escrevo, porém só depois de 1999, quando fui premiado em meu primeiro concurso literário e que tive consciência de que era possível ser escritor.



10.Seu autor favorito? Essa é difícil.

João Guimarães Rosa em prosa e Manoel de Barros em versos.



11.Qual sua visão sobre a obra Grande sertão veredas?

Um livro vivo que nunca se relê. Toda vez que se lê o GRANDE SERTÕES, pelo menos, assim me parece, se está lendo pela primeira vez. É preciso que eu diga que o leio pelo menos uma vez por ano.

12.De onde vem sua maior inspiração para a produção de seus textos?

Do cotidiano e da observação das pessoas, seus hábitos e sobretudo, suas máscaras.

13.O que te motiva a escrever?

A infinita necessidade de acalmar o meu espírito inquieto e que vive em desacordo com ordem estabelecida. Discordo de quase tudo o que a sociedade tem como princípios básicos.



14.Qual é a sua opinião a respeito das ativistas que hoje em dia estão usando de artifícios religiosos para protestarem?

Religião para mim é um ato de intimidade entre o ser humano e o Universo, algo um tanto particular e interno. Desconfio de todos que a usam para qualquer outro fim que não seja sintonizarem-se com o Universo. Ela está muito mais ligada ao respeito a si mesmo, ao outro, ao planeta; praticar o bem, conviver pacificamente e respeitar o livre arbítrio de seus pares. 



15.Leitores, qual sua relação com eles?

O meu primeiro leitor sou eu e sou muito mais condescendente com outros autores do que comigo mesmo. Quanto aos demais, sou-lhes grato por me lerem e, se pudesse, escreveria sempre algo que lhes agradassem. 



16.Para finalizar, o que tem achado de escrever a coluna semanal da segunda, a Fiel da Balança, em nosso blog?

É uma experiência maravilhosa, principalmente por me proporcionar falar um pouco da minha terra, dos costumes e causos de nosso povo e poder também expressar a minha opinião acerca de fatos e acontecimentos destes tempos sinistros em que vivemos.





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