terça-feira, 22 de julho de 2014

Poema Classificado XIV



Solidão

A dor já passou, a doida,
boi e boiada.
Boiadeiro não passou
que já não é tempo
de haver mais boiadeiros.
O tempo passou!
Passou a época das monções,
dos campos verdes, da seca,
das jabuticabas maduras...
O negro negrume
das graúnas e anus.
Passou o dia,
a hora, o exato instante,
de se dizer obrigado, desculpas,
de enciumar-se.
Falar que te amo? O tempo passou!
Os anos passaram
o trem, o apito,
o carnaval, o ônibus.
Passou a época das viagens
mudanças, chegadas,
das partidas...
Passaram os amigos
o verão, as montanhas e o mar.
A embriaguez, os desejos,
a oportunidade também já passou!
Passou o tempo de se provar
teoremas, de publicar poemas,
de retirar o lixo, salvar o planeta
de se fazer escolhas...

A vida também já passou!


Selecionado para a revista virtual “Reticências em Versos”, conforme e-mail recebido em 31/5/2013.

6 comentários:

  1. Lindo , mas a vida ainda tem muito a oferecer! Ainda ñ passou ...bjo

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    1. Obrigado, Marilúcia Spinelli, este poema obedeceu ao tema de uma fase de concurso que participei no ano passado. Bjs.

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  2. muito lindo mais ainda tem muito o que viver bjss

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    1. Obrigado, Zélia Nascimento, certamente "enquanto há vida...". Bjs.

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