quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Textos Publicados 2017 - 12 (N.° 421 - Ano III)


Ponte sobre o Córrego do Ginásio (Conceição do Mato Dentro - MG). Foto: Francisco Ferreira.

À Espera de Milagres



“Vendo, pois aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo.” (Jo 6 – 14) Esta passagem do evangelho de João, mesmo depois de 2000 anos, continua atualíssima. Uma vez que nós, feito os homens que assistiram in loco ao milagre, ainda precisemos deles para crer. Ora, se nos é tão necessário o milagre para que creiamos, então que observemos os milhares deles que são operados em nossas vidas, em todos os dias.

Começamos por analisar o simples fato de acordar, quando muitos irmãos não têm esta mesma oportunidade, deitam-se, e o Senhor os chama para Seu convívio, ainda durante o sono. Após acordarmos temos o milagre da locomoção, sem carecermos de nenhum aparelho, ou prótese ou mesmo da ajuda de terceiros. Simplesmente somos objeto de um milagre maravilhoso: o ter aprendido a andar de forma ereta, podermos caminhar e com facilidade chegar ao nosso objetivo. E deste momento em diante, vão se desenvolvendo mais e mais “pequenos” milagres em nosso dia, pequenos por serem de ordem natural, mas extraordinários para aquele que não dispõe dos mesmos em sua vida.

E àqueles a quem falta estes pequenos milagres o Altíssimo providencia outros, como a inteligência de que dotou ao homem e que o permitiu criar artefatos que propiciam o locomover, àquele que não é capaz de fazê-lo de forma natural, sem ajuda. Ou, de outra forma, coloca na vida destes irmãos, seres do bem e de coração piedoso que os ajudam em suas necessidades. Não são, também estes, pequenos milagres?

Se bem pensássemos não precisaríamos de grandes milagres para crermos e sermos totalmente gratos à Providência, uma vez que pequenos, mas imprescindíveis milagres, são operados em nossa vida cotidiana a todo o tempo, e que nos passam despercebido. Pena é, que a noite, quando vamos nos recolher e gozar de mais um milagre que é o sono que repara, revigora e nos permite recomeçar tudo no dia seguinte, ainda não bendizemos devidamente ao nosso Deus e, muitas vezes, nos sentimos frustrados e zangados com Ele, por não termos assistido àquele milagre épico, extraordinário e colossal que mudaria completamente a nossa vida. Nos recolhemos em nossa ingratidão e mágoa, para no dia seguinte, nos beneficiarmos novamente daquele rol de pequenos milagres que nos permite viver.  E, assim, levamos ao termo a nossa existência terrena, vendo e sentindo centenas de milhares de pequenos milagres em todos os dias de nossas vidas, sem os quais esta vida não seria possível e esperando, decepcionados, aquela manifestação que, provavelmente, nunca assistiremos.

Conclamo-vos a observarmos os pequenos milagres que se sucedem em nossa vida diária e observemos todos os outros que se passam a nossa volta, que sejamos infinitamente gratos ao Criador e deixemos de esperar grandes acontecimentos para crer e agradecer a onipresença divina. Que tenhamos uma semana de pequenos milagres e, quem sabe, não sejamos dignos de presenciarmos verdadeiras e extraordinárias façanhas de nosso Pai e possamos ouvir da boca do Cristo Redentor: “Felizes são os que não viram, mas assim mesmo creram!” (Jo 20 – 29).

Publicação da semana (oitava) no blog Dias d’oje (Lisboa – POR) – Coluna: REFLAXÃO DA SEMANA em 20/1/17.


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